Apresentando

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Apresentando os clássicos da Sociologia ao meu lado. Da esquerda para a direita: Karl Marx, Èmile Durkheim, Max Weber e Florestan Fernandes

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O que pode acabar com o embargo dos EUA a Cuba?

A presença da blogueira cubana Yoani Sanchez no Brasil trouxe ao centro da discussão política a fração autoritária da esquerda brasileira, que parecia relegada ao esquecimento. Não por coincidência, junto com seus arroubos, essa franja política manifestou outra característica do esquerdismo latino-americano da Guerra Fria, a ingenuidade. Manifestantes tentaram fazer com que Yoani assinasse um manifesto pelo fim do embargo norte-americano a Cuba e alardearam o fato de ela não ter corroborado o que dizia o documento. O esforço é inútil. Apenas uma profunda incompreensão da realidade pode explicar o fato de pessoas acreditarem que protestos ou abaixo-assinados farão o boicote ser derrubado.
Entre os poucos consensos da comunidade internacional, a avaliação de que o embargo norte-americano a Cuba é uma atrocidade se destaca. Desde 1991, a Assembleia Geral das Nações Unidas condena anualmente o boicote. Em 2012, a resolução recebeu 188 dos 193 votos (apenas EUA, Israel e Palau foram contra). Projetos condenando os massacres na Síria e os abusos de direitos humanos na Coreia do Norte, por exemplo, não chegam nem perto de obter tantos votos. Ocorre que pressões internacionais não funcionam para fazer o governo norte-americano, o mais poderoso do mundo, mudar de opinião.
O embargo a Cuba, ainda que cause desgosto e indignação generalizadas no mundo, é um assunto interno dos Estados Unidos. Instituído em 1962 pelo então presidente John Kennedy, o embargo é sustentado, desde 1992, também por um ato do Congresso. Segundo esta legislação, o boicote só poderá acabar quando Cuba realizar eleições livres e passar a tolerar a oposição política, dois avanços ainda muito distantes. Para o Congresso e a Casa Branca modificarem suas posições, seria necessária uma mudança no clima político norte-americano. Ela já pode ser vislumbrada, mas ainda está distante.

Leia a matéria na íntegra no site da REVISTA ÉPOCA