Apresentando

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Apresentando os clássicos da Sociologia ao meu lado. Da esquerda para a direita: Karl Marx, Èmile Durkheim, Max Weber e Florestan Fernandes

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Imbecilidade sem limites

Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limites de Feliciano e Gentili


Por Djamila Ribeiro

Na última semana assistimos a um grande show de horror no Brasil. Uma questão na prova do Enem que trazia uma frase da filósofa francesa Simone de Beauvoir e o tema da redação que versava sobre a persistência da violência contra a mulher, causou falsa indignação e respostas tenebrosas por parte de alguns membros da intelligentsia (muita ironia, por favor) brasileira.
Marco Feliciano, em sua página de Facebook, desaprovou a questão. Disse se tratar de tentativa de doutrinamento e completou:
“A primeira pergunta apresentado na prova do Enen (sic) deste sábado versa sobre um assunto em que em todas as esferas legislativas de nosso país foi vencida e jogada no lixo, a teoria de gênero, algo que sutilmente tentaram nos incutir de forma sorrateira e rechaçada pelos parlamentares eleitos democraticamente pela maioria da população e que todas as pesquisas apontam como maioria de fé Cristã e conservadora”, opinou.
(...) Já escrevi sobre como o humor não está descolado dos valores da cultura, e o convidado descerebrado de Imbecili, Leo Lins, só comprovou isso ao dizer coisas do tipo: “Eu já li que a cada 12 segundos uma mulher sofre violência no Brasil, mas estou escrevendo a redação há 30 e não vi nenhuma apanhando”.
“Também é preciso ver quem fez a pesquisa... como saber se o sangue é de violência ou ciclo menstrual? Afinal, o sangue que sai de um corpo é o mesmo, não importa o buraco.”
Como disse Érico Veríssimo: “Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”.
As três figuras aqui citadas querem permanecer erguendo as barreiras da ignorância, do desrespeito e machismo. Façamos moinhos de vento.


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