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Apresentando os clássicos da Sociologia ao meu lado. Da esquerda para a direita: Karl Marx, Èmile Durkheim, Max Weber e Florestan Fernandes

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Resquícios da Ditadura Militar no Brasil?


Uma dica muito boa para quem gosta de mergulhar nos estudos que envolvem a ditadura militar no Brasil, (período compreendido entre os anos de 1964-1985), é o recente trabalho do Cientista Político da USP, o Dr. Edson Teles em parceria com o Doutor em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo, Vladimir Safatle. A proposta do livro, levado com muita seriedade e anos de pesquisa, é mostrar que o passado sombrio dos "anos de chumbo" resistiu ao tempo, e seu legado aparece na violência policial, na estrutura jurídica, na impunidade, nas práticas democráticas e cidadãs e até mesmo nas artes. O Cientista Político Edson Teles aborda também outros modelos de ditaduras assistidas pela América Latina, e faz um balanço sobre os principais aspectos dessa "herança autoritária". 
A revista Sociologia da editora Escala, publicou no seu último número uma entrevista com o Cientista Político Edson Teles e um dos trechos mais importantes foi a sua resposta para a seguinte pergunta: podemos dizer que vivemos em uma ditadura velada ou uma espécie de ditadura de formato diferente da do Regime militar?
R: Não! Muito pelo contrário. Vivemos em uma democracia. E é isto o que mais assusta e nos impressiona. É a constatação de que um regime democrático carrega dentro de si mecanismos e instituições que funcionam sob o signo da ação autoritária. 
Uma outra pergunta que nos chama atenção é a sua resposta para diferenciar as ditaduras ocorridas na América Latina com a ocorrida no Brasil, segue a resposta: “A diferença entre as ditaduras é que a brasileira manteve uma aparência de legitimidade ao apostar e organizar um aparato de repressão política sofisticada e com ação cirúrgica no que tange ao extermínio, por meio de assassinatos e desaparecimento”. Enquanto a ditadura argentina exterminou 20 mil, a chilena, 5 mil, a brasileira o fez com 500 mortos e desaparecidos. No entanto, a ditadura no Brasil, prendeu, torturou e processou muito mais gente do que nas outras ditaduras. Esse aspecto de repressão sofisticada permitiu que, após a transição controlada, se mantivesse o tema das violações de direitos humanos e de crimes contra a humanidade fora do debate da democracia.
O livro realmente é espetacular, com dados precisos e muita informação que atravessa a cortina do debate da ditadura militar no Brasil e reacende o debate, nesse momento que entidades como a OAB, o Ministério Público e outros órgãos entram com uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal pedindo a reinterpretação da Lei de Anistia, que perdoava também os torturadores. 

REFERÊNCIA

Edson Teles e Vladimir Safatle. O que Resta da Ditadura - A exceção brasileira (Editora Boitempo, 2010)



Fonte: Revista Sociologia - número 29, julho de 2010.


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